domingo, novembro 08, 2015

CAPÍTULO VIII

— Você se subestima.
Satisfeita, ela sorriu.
— Pode me levar para casa?
Ele concordou, e caminharam juntos até a caminhonete.
— Tem algum outro parente que possa ficar com o rancho?
— Não. O único irmão de meu pai mora no Arizona em um rancho que pertence à família de sua esposa. O tio Marcos nunca vai sair do Arizona.
— Talvez devesse ter conversado a esse respeito com seu pai.
— Nunca lhe ocorreu que eu pudesse ter outros interesses, nem à vovó. E nem um dos dois aceitaria. Minhas irmãs sempre foram rebeldes, desde o instante em que souberam da existência de outros lugares para viver.
Zac podia entender o ponto de vista do pai e da avó de Vanessa. Os ranchos do estado todo eram passados de pai para filho, permanecendo sempre na mesma família. Era tradição aceita desde a mais tenra infância. Jamais lhe ocorrera partir, e julgou que Vanessa pensaria do mesmo jeito. Ela não tinha irmãos, e era a filha mais velha. E, a única a saber como administrar a propriedade.
Desapontado, tornou a lembrar de Reese, que permanecera relutante no campo até sua morte precoce.
Olhou a mulher a seu lado, curioso a respeito de seus sonhos e desejos.
— Por que direito?
— Acho que começou quando eu tinha dez anos, e mamãe morreu em um acidente de carro, atingida por um motorista alcoolizado. Ele já havia sido preso diversas vezes. Escapou sem mesmo uma multa. Então, fiquei com ideia fixa de me tornar advogada e processar pessoas como ele. — Ela sorriu. — Puro idealismo. Estava cheia de sonhos pueris, mas a ideia de me tornar advogada ainda me atrai. Não quero esta existência rural o resto de minha vida. Sei que há muito mais lá fora, e quero ter a oportunidade de ver por mim mesma.
— No que se formou?
— Veterinária. Papai escolheu, e não quis decepcioná-lo.
— Eu desisti no segundo ano quando meu pai morreu, e tive de voltar para administrar o rancho.
— Fez um excelente trabalho.
— Eu me esforço. Seu pai poderia ter vivido muito mais. O que faria então?
— Provavelmente ficaria no rancho para sempre. Talvez lhe contasse meus planos, mas duvido. É solitário sem ele, e as lutas são constantes: o tempo, os animais doentes. Conhece muito bem os problemas de um rancho. Não é a mesma coisa sem ele.
Chegaram à caminhonete, e ela se voltou para ele.
— Zac, continue procurando. Estou certa de que vai encontrar uma babá. Vai ser melhor assim. Não deve se envolver em um casamento sem amor.
— Eu quero ficar com Aurora — ele disse, aborrecido por não poder cuidar da filha e do rancho ao mesmo tempo.
— Deixe que eu faça o anúncio da babá e conduza as entrevistas. Talvez eu possa ajudá-lo a encontrar a pessoa certa.
— É uma ideia. Podemos tentar. Vou preparar o anúncio e levo para você ver.
Ela sorriu, os lábios semi-abertos, os olhos achocolatados com um brilho diferente. Por que não tivera namorados? ele especulou novamente. Homens errados na hora errada? Tentou imaginar-lhe a vida distante do campo.
— Acho que se for mesmo para a faculdade e se formar em direito, talvez encontre o que procura. E alguém... para namorar.
Ela estremeceu.
— Estou com vinte e seis anos e já tenho meu jeito de ser.
— Vamos, senhorita. Vou levá-la para casa.
Mais tranquila, Vanessa deu uma última olhada na casa, então subiu na caminhonete e seguiu com Zac em silêncio pela estrada. Ele colocou a mão em seu ombro. Ciente do toque, ela soube o que perdera aquela noite.
— Se mudar de ideia, venha me contar.
— Traga o anúncio. Vou mandar publicá-lo e conduzir as entrevistas.
— Claro, Nessa. — Ele lhe deu um beijo no rosto. Os lábios quente e macios, com um leve aroma de cerveja. Por um instante desejou com todo coração saber como seria um beijo de Zac. Mas, seria melhor nunca descobri-lo.
— Obrigada pelo jantar, Zac. Jamais esquecerei sua proposta.
— Estou desapontado, Nessa. Voltarei amanhã ou depois com o anúncio. — Ele sorriu e encolheu os ombros.
O sorriso de Zac transpirava um charme incrível. O contraste dos dentes brancos contra a pele morena tornavam-no muito atraente. Se ele quisesse seduzi-la, seria impossível resistir.
Vanessa observou seus passos largos até a caminhonete. Ele entrou, deu a partida e, em segundos, seguia pela estrada. Ela experimentou um sentimento de perda e olhou as suas terras. Às mesmas que às vezes a sufocavam.
A escuridão a envolveu, tranquilizando-a. Agora sozinha podia pensar nos acontecimentos passados. Teria tomado uma decisão precipitada? Se vendesse o rancho e partisse, será que um dia sentiria arrependimento por não ter aceito a oferta de Zac? Um casamento sem amor não podia ser um bom negócio. Lembrou-se do beijo no rosto. Zac era um homem excitante, mas suspeitava que neste tipo de acordo não haveria lugar para emoções.
Entrou em casa, satisfeita pelo fato de a avó já ter ido para sua casa no final da rua. Naquele exato momento, Vanessa não estava disposta a responder perguntas.
Dois dias mais tarde, Vanessa saía do estábulo quando percebeu uma silhueta contra a luz na porta do celeiro.
— Nessa?
Ela sentiu o pulso acelerar diante daquela voz familiar.
— Que faz aqui? — Ela sentiu-se culpada por ter pensado tanto na proposta, mesmo tendo recusado. Ao vê-lo se aproximando, lembrou-se do anúncio.
— Já redigiu o texto do anúncio?
— Deodora me disse que estava no celeiro com uma égua doente.
Vanessa esfregou a nuca.
— Ela está melhor.
Zac aproximou-se para inspecionar o animal. De jeans e camiseta branca, ele a fez tomar consciência da própria aparência.
— Está com o anúncio? — ela insistiu.
Zac se virou para ela. Ele afastou o chapéu de aba larga do rosto e apoiou a mão na parede próxima a ela. A camiseta branca de Zac contornava-lhe os músculos perfeitos, e Vanessa não pôde deixar de notar como era bonito.
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Olá amores estou de volta, desculpem não ter postado ontem!!
Mas pra compensar postarei mais um hj....
Espero que gostem do capítulo....
Cometem ai...
Obrigada pelos comentários....
Até qlqr momento....
Beijooos!!

2 comentários:

  1. Esses dois viu
    Quero eles juntos logo
    Posta mais amr, xoxo

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  2. Aaah eles vão ficar juntoss???postaa mais logo

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